Zona Sul recebe aula inaugural da FACS e Relações Internacionais

Evento contou com a exibição do filme Luna 13 e com um debate em torno da produção

O auditório master do campus Zona Sul da UniRitter foi palco da aula inaugural da Faculdade de Comunicação Social e do curso de Relações Internacionais, na última quarta-feira, dia 3 de maio. O evento apresentou como proposta um debate em torno do filme Luna 13 e do tema Entre verdades e mentiras: os desafios da profissão. A atividade foi conduzida pelos convidados da noite: Felipe Barros, Eduardo Christofoli, Luciane Brentano Pacheco e Camila Cesar.

O produtor do filme Luna 13, Eduardo Christofoli falou sobre a produtora Colateral Filmes e sobre como surgiu o projeto do filme. “Um dos principais objetivos da produtora é transformar arte em produto”, afirmou Eduardo. “O projeto é originado de um edital financiado pelo estado, chamado #juntospelacultural, em que foi proposta a produção de um curta-metragem e o debate acerca de novas formas de distribuição de filmes. Nós queríamos, pelo formato do projeto, inverter as janelas de divulgação, dando ao público a oportunidade de ver o filme primeiro e não restringi-lo aos festivais de cinema”, destacou, completando: “Outra questão dentro do projeto era instigar o público a falar um pouco sobre as verdades e mentiras, que são publicadas na internet diariamente, e também desafiá-los a reconhecer o que é realmente verdade e o que é mentira dentro do próprio filme”, finalizou Eduardo.

Durante a aula inaugural, Filipe Barros, diretor do curta, falou sobre questões relacionadas à narrativa e a temática da obra. A partir de uma visita ao Museu Aeroespacial da Rússia, surgiu a ideia para a narrativa. “Nos perguntamos: o que aconteceria se um cosmonauta caísse no Rio Grande do Sul? E a partir daí, foi-se pensando em como contar essa história. A ideia de um falso documentário surgiu como melhor opção, tanto por questões financeiras como pela estética com a qual estávamos trabalhando”, explicou Filipe.

Após a escolha da narrativa e da temática, foi determinada a forma de divulgação da produção. “Pensamos em colocar na internet, pois é onde o pessoal está consumindo cultura”, finalizou o diretor. A ideia para divulgação foi inusitada. “Vamos tentar criar uma mentira para despertar a curiosidade das pessoas”, explicou Filipe. Foram construídos perfis nas redes sociais para os personagens com o intuito de divulgar o filme e despertar a curiosidade das pessoas.

Pós-verdade foi a palavra da noite, trazendo questões acerca dos desafios profissionais para aqueles que atuam no mercado da comunicação. A relações públicas Luciane Brentano Pacheco trouxe a perspectiva do profissional que trabalha diretamente com a gestão de imagem e relacionamento. “No contexto da pós-verdade, olhamos com o filtro emocional que buscamos, repercutimos aquilo que é verdade para nós mesmos”, comentou Luciane. “O que cabe a nós, enquanto consumidores de informação, é ter um olhar crítico e realmente ir atrás da verdade e não consumir tudo que nos é colocado”, finalizou.

Camila Cesar, professora assistente no Instituto de Comunicação e Mídias da Université Sorbonne Nouvelle-Paris 3, na França, também abordou o assunto. “Quando falamos em verdade, acreditamos em algo porque é verdade ou, pelo menos, parece verdade. Aí mora o perigo. Temos que pensar também em discutir o papel dos jornalistas, dos meios de comunicação nesse contexto e pensar que quando falamos em verdade, estamos falando em versões da realidade”, comentou. “A pós-verdade não é necessariamente o culto à mentira, mas está ligada sobretudo a uma postura de indiferença aos fatos”, explicou Camila.

Ao final do evento, a mesa abriu o debate para questionamentos. A aula inaugural contou com a participação dos acadêmicos dos cursos de Jornalismo, Publicidade e Propaganda, Relações Públicas, Relações Internacionais e, a novidade na instituição em 2017, o curso de Cinema.