UniRitter recebe palestra sobre o projeto Women in Law Mentoring

Mentoras Leticia Batistela e Eliana Fialho Herzog falaram sobre o projeto e mentoradas compartilharam suas experiências

Na noite de segunda-feira, 21/08, no auditório do prédio D da UniRitter campus Zona Sul, alunas e alunos de 9º e 10º semestres do curso de Direito assistiram a uma palestra sobre o projeto Women in Law Mentoring. O WLM busca o empoderamento feminino no ambiente de trabalho e a criação de futuras líderes. O evento contou com a presença das mentoras Leticia Batistela e Eliana Fialho Herzog e depoimento das mentoradas Juliana Garcia, Bárbara Bittencourt e Fernanda Scaletscky, atualmente professora no curso de Direito da UniRitter.

O evento organizado pelo Núcleo de Educação Continuada da Pró-Reitoria Acadêmica e pela Escola de Direito da UniRitter se iniciou com a professora Clarissa Corello destacando que “não há nada mais angustiante do que não saber o caminho a seguir” – e a Women in Law Mentoring ajuda as jovens mentoradas nessa tarefa. Iniciado em 2014, o projeto surgiu da necessidade de preparar jovens estudantes e formandas do curso de Direito para serem líderes, não somente como CEOs e juízas, mas em seus próprios cargos dentro de empresas. O programa conta com 25 mentoras, todas referências em suas áreas. Eliana Fialho Herzog, uma das fundadoras, esclareceu que o WLM não faz coaching. Durante as mentorias é ensinado como se portar no ambiente de trabalho, normalmente ambiente de liderança masculina, como fazer as melhores escolhas profissionais e como aliar a carreira com a vida pessoal.

Eliana contou sua trajetória no Direito e suas escolhas, como a de cursar uma pós-graduação em Administração Hospitalar e Negócios em Saúde, já que, na época, trabalhava como coordenadora na consultoria jurídica interna do Sistema de Saúde Mãe de Deus. O objetivo, segundo ela, era melhor atender seu cliente. Por essa e outras decisões, hoje Eliana, além de membro do Comitê Jurídico do Sindihospa (Sindicato dos Hospitais de Porto Alegre), também é sócia da Chiapin Advogados & Associados, relatora do Tribunal de Ética e Disciplina da OAB/RS e membro do grupo de advogadas corporativas Jurídico de Saias. Eliana destacou a importância em ajudar os outros, lição recentemente aprendida por ela: “Ninguém cresce em carreira nenhuma, ainda mais na jurídica, se não tiver a postura de ajudar os outros a crescerem também”. Ainda ressaltou que a mulher tomar a rédeas da carreira, que pode mudar de acordo com a atitude frente aos problemas.

A associação sem fins lucrativos apresentou também uma nova mentora, Leticia Zereu Batistela, especialista na área do Direito Digital, também presente no evento. Há muito tempo atuante em “ambientes massivamente masculinos”, a advogada nunca havia notado a dificuldade das mulheres no mercado de trabalho, por nunca ter vivenciado isso. Até que foi convidada para participar do projeto e foi apresentada aos números. De acordo com o IBGE, a média salarial das mulheres no Direito é 29% menor que a dos homens, mesmo que elas invistam cerca de cinco anos a mais em estudo que eles. Apenas 8% dos cargos de presidência e vice-presidência são ocupados por mulheres e no Tribunal Superior, somente 18% são do sexo feminino. Levantamentos mostrados pelas mentoras também mostram que empresas com líderes mulheres têm seis pontos percentuais a mais no lucro, mostrando que a diversidade também é lucrativa.

Leticia incentivou que as profissionais corram atrás de seus objetivos e esclareceu que as mulheres não querem privilégios sobre os colegas homens e sim igualdade de direitos.

Formadas na UniRitter, Juliana Garcia e Bárbara Bittencourt participaram do projeto como mentoradas e deram seus depoimentos. Juliana procurou o Women in Law Mentoring por não saber quais aspectos precisava melhorar. Acabou descobrindo, com a ajuda de sua mentora, que tinha capacidade de conseguir o que queria, e, a partir disso, mudou sua postura no ambiente de trabalho, o que foi notado por colegas e pessoas em cargos de chefia.

Bárbara explicou que o mentoring foi um divisor de águas na sua carreira. Foi a partir dele que mudou conceitos e estigmas, como, por exemplo, o que entendia por sucesso – que não necessariamente é passar em um concurso. O WLM a fez refletir sobre qual impressão desejava passar aos seus clientes e colegas de trabalho.

Mentorada no 1º ciclo, Fernanda Scaletscky, hoje lecionando na UniRitter, também relatou sua experiência, lembrando que o projeto apareceu quando estava passando por uma transição e tendo dúvidas se devia seguir no Direito. A jovem professora ressaltou que o Women in Law Mentoring ajudou a despertar sua confiança e a ensinou a enfrentar os desafios com seriedade e persistência: “Os desafios (hoje) são os mesmos, mas eu mudei (frente a eles)”. Fernanda falou, ainda, sobre a síndrome de impostora que as mulheres sentem no mercado de trabalho, especificamente no jurídico, quando acham que não merecem estar naquele espaço ou cargo. Ao agradecer sua mentora, Eliana, ficou emocionada, lembrando toda a ajuda oferecida para melhorar sua carreira.

Janaina Sanhudo Morais, recém formada em Direito pela UniRitter, foi uma das que compareceu ao evento e fez sacrifícios para assisti-lo por nunca antes, durante sua graduação, ter visto uma palestra só de mulheres. “Me chamou atenção ser uma rede de contato e empoderamento de mulheres, do que eu senti falta durante a minha graduação”, explicou.

Em 5 de outubro, acontecerá o 1º Fórum WLMBR, com o tema “Diversidade e complementariedade: Uma nova inteligência jurídica”, contando com a presença de personalidades referência no tema, nacionais e internacionais. As inscrições podem ser feitas neste link até o dia 2 de outubro.

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