Seminário discute a formação do psicólogo do futuro

Evento realizado no campus Zona Sul contou com palestras, mesas redonda e simulações

Texto | Paula Fabyolla
Fotos | Carlos H. Barcellos e Paula Fabyolla 

O campus Zona Sul da UniRitter recebeu, nos dias 8 e 9 de abril, o seminário da rede Laureate International Universities sobre a formação dos profissionais do futuro na área da Psicologia. Organizado pela UniRitter em parceria com o Centro Universitário dos Guararapes, o seminário contou com simulações de atendimentos, palestras, painéis e mesas redondas com profissionais de diversas áreas. O seminário foi idealizado a partir de um estudo internacional da Laureate que traçou o perfil dos psicólogos do futuro. Este estudo deu origem, também, ao selo New Generation Psychologist, que atesta o compromisso dos cursos de Psicologia da rede na construção desse profissional.

Uma das formas de construir o profissional do futuro é investir nas simulações como método de aprendizado. Durante o seminário foram apresentadas várias possibilidades de simulações como, por exemplo, a terapia familiar. Nesse caso, o conflito explorado foi o de uma mãe que questionava a orientação sexual da filha e atribuía este comportamento à ausência do pai. Ele, por sua vez, alegava ser o provedor dos confortos da família. Terminado o cenário simulado, foi proposto pelo professor Lucas Bandinelli que os alunos realizassem um debate sobre o que viram e perceberam. Segundo alguns estudantes, a família queria respostas. Por isso a conduta mais silenciosa da aluna Bianca Piazza, que simulou a terapeuta, foi o que ajudou a família a achar os caminhos – e não as respostas prontas. “Aulas de ética são imprescindíveis para poder exercer a profissão corretamente sem misturar os papéis”, disse Bianca Piazza, quando questionada sobre o que poderia ser levado da cena para a aula.

Se há profissões que tendem a desaparecer, a Psicologia parece ser a profissão do futuro. Pelo menos foi essa a abordagem em um dos painéis do evento. Segundo a psicóloga Viviane de Souza, os novos tipos de relacionamentos e os modos de lidar com eles fazem parte do novo papel a ser desempenhado pelo psicólogo nos dias de hoje. De acordo com ela, o profissional de psicologia precisa se colocar, se empoderar e não se esconder, para que se entenda a sua real utilidade para a sociedade. “Estamos abrindo espaço para as pessoas sobre algo que estudamos a vida toda, temos uma abordagem teórica e prática diferente”, afirmou Viviane.

Compartilhando do tema dos desafios da Psicologia, o Dr. Cristiano Nabuco, autor do best-seller nacional ‘Psicologia do Cotidiano’, colocou em discussão as relações entre comportamentos e emoções. O professor, que atualmente estuda os efeitos da realidade virtual no tratamento da saúde mental no Ambulatório de Transtornos Alimentares da USP, falou sobre a persistência necessária ao profissional. “Precisa-se ter obstinação para conseguir se destacar”, afirma ele, que teve seu doutorado negado ano após ano por seu tema de pesquisa não ter sido considerado viável para ser estudado.

Cuidado foi a palavra de ordem da mesa redonda composta pelas psicólogas Julia Schneider Hermel, Mônica Echeverria de Oliveira e Vanessa Ferreira Menke com mediação do professor Lucas Bandinelli. Foi abordada a necessidade de, na Psicologia Hospitalar, o paciente ter uma avaliação multidisciplinar, e de a família ser incluída no processo de tratamento. Os profissionais destacaram a importância de se ter um sistema voltado à saúde e à pessoa – e não apenas à cura da doença. “O Humaniza SUS foi muito importante. Possibilitou a prática efetiva da psicologia na vida das pessoas que estão ali para serem cuidados. A psicologia pode contribuir para esse cuidado, para o entendimento em momentos de sofrimento”, disse Julia.

Júlio, um paciente de 20 anos, dá entrada na emergência geral do hospital. A equipe médica tenta analisar o caso. Assim começou o segundo dia de simulações. A cena aconteceu na enfermaria simulada do prédio C. Em um dos momentos finais e de maior intensidade, foi simulado o pós-atendimento às famílias vítimas de um rompimento de barragem. O cenário foi composto por familiares desesperados por notícias, bombeiros e terapeutas tentando mediar a situação onde seria feito o reconhecimento dos mortos na tragédia. No pós-cena, os alunos envolvidos enfatizaram que em situações assim a teoria ajuda a manter a calma e a execução do papel, mas o recurso humano é o principal.