Fashion Revolution discute a importância do reaproveitamento de materiais

Palestrantes promoveram discussões sobre a necessidade de mudança nos hábitos de consumo

TEXTO | Mateus Luz e Paula Fabyolla
FOTO | Mauro B. Pereira

Iniciou no dia 24 de abril a semana de debates sobre moda consciente, a Fashion Revolution. As palestras e oficinas foram divididas entre Campus FAPA e Zona Sul. Para contribuir com as reflexões, foram promovidas palestras nas áreas de design, biologia e filosofia, com a participação dos professores de Design de Moda da UniRitter.

O impacto do plástico

Após análise da água consumida em São Paulo, pesquisadores descobriram que, de 10 amostras testadas, nove continham microfibras plástica, substância cujos efeitos no organismo ainda não foram mapeados. Foi a partir deste tipo de estudo alarmante que a bióloga Eliza Berlitz Ilha, uma das palestrantes do Fashion Revolution, fundou a empresa Viva. Ela conta que, depois de descobrir que o glitter não era tão alegre para o planeta, surgiu a ideia de produzir uma solução sustentável. “A Viva surgiu por demanda de mudanças de hábito”, disse Eliza.

O cuidado para com o impacto do plástico e para onde ele vai quando descartado é questão de saúde. Segundo o Fórum Econômico Mundial de Davos, a estimativa é de que em 2050 exista, no planeta, mais plástico do que peixes. A bióloga Eliza explicou e exemplificou na sua apresentação os malefícios microscópicos do plástico, que está sendo encontrado em quantidade expressiva nos produtos consumidos pela população. “Se atentem aos rótulos”, recomendou.

O consumo de plástico ao qual a bióloga se refere se dá pelas chamadas microfibras plásticas – partículas menores que não se decompõem e nem sempre são vistas a olho nu. Elas vão se incorporando à natureza e interferindo na vida animal e humana. Diversos tipos de animais não conseguem digerir os microplásticos, que ficam acumulados no organismo e facilitam o processo de extinção dessas espécies.

Upcycling

Estes cuidados com o que é consumido e para onde vão os componentes presentes nos materiais convergem na forma de gerir a moda sustentável. Se quem produz o lixo estiver preocupado com o ciclo final do produto, haverá a gestão do resíduo e um ciclo de preservação mais amplo. Nesta linha de debates seguiu a Semana Fashion Revolution na UniRitter, com discussões sobre como se dará a acessibilidade à população sobre o consumo consciente, e como as universidades e as pessoas vão fazer a distribuição de informação em uma linguagem que não seja técnica e que mostre a dimensão do problema. Na quinta-feira, 25/04, aconteceu, no Ateliê de Moda do campus FAPA, a oficina de confecção de colares de malhas, ministrada pela aluna de Design de Moda Luciane Moura. Segundo ela, a proposta da oficina era mostrar que o que vai para o lixo, pode virar luxo. “Podemos transformar retalhos que iriam para o lixo em algo bonito de acordo com a técnica upcycling, e dessa forma, contribuir para a preservação do meio ambiente. Vim com o intuito de ensinar uma técnica que dá uma nova vida aos colares e incentivar o cuidado com o nosso planeta”, disse a aluna, que já expôs o trabalho na Itália.