Relações Internacionais discute migração e direitos humanos

Painel sobre o tema encerrou a I Jornada Internacional de Democracia, Direitos Humanos e Relações Internacionais

Com o objetivo de promover a reflexão sobre temas recorrentes na sociedade, a I Jornada Internacional de Democracia, Direitos Humanos e Relações Internacionais teve seu encerramento na noite de quarta-feira (14/11), no Auditório Master, no campus Zona Sul. Organizado pelo curso de Relações Internacionais, o evento começou na segunda-feira (12/11) e contou com a presença de professores, pesquisadores e alunos de graduação e pós da UniRitter e de outras instituições.

A noite de encerramento começou com a palestra de Maha Mamo, primeira apátrida reconhecida pelo Estado brasileiro. Ela dividiu sua história com o público e revelou as dificuldades enfrentadas ao longo dos anos. Maha explicou o motivo de estar no país. “Eu mandei minha história para todas as embaixadas que existiam no mundo durante 10 anos. Recebi muitas respostas negativas. O único país que me acolheu foi o Brasil”, conta (clique aqui para saber mais sobre Maha). Ela destacou que concede palestras voluntárias pelo Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados e Apátridas (ACNUR) contando a sua trajetória de luta por direitos e finalizou a palestra expressando o desejo de acabar com a apatridia no mundo.

Já a professora de Relações Internacionais da UFRGS, Verônica Gonçalves, levantou questões importantes sobre os direitos de migrantes e refugiados, além de esclarecer a importância de se diferenciar os termos, já que existe um regime internacional de proteção apenas para refugiados. Ela também falou sobre a vulnerabilidade dessas pessoas e mencionou a chegada dos venezuelanos no Brasil. “Ainda não está claro qual é a política pública brasileira”, falou em referência à abordagem securitária que é a migração como ameaça ao Estado e população, e a abordagem dos direitos humanos que envolve o direito de migrar, a garantida de estadia e os demais benefícios.

Em seguida, o diretor dos Programas de Políticas Públicas e Democracia na Fundação Friedrich Ebert, Fabio Floriano, também falou sobre migração e refugiados. Ele divulgou dados sobre os refugiados venezuelanos e falou sobre como os brasileiros estão lidando com a chegada dessas pessoas. “O total de venezuelanos no Brasil são 30 mil, a crise está na falta de acolhimento”, disse. Além dessa palestra, aconteceram diversas atividades ao longo dos três dias de jornada, como grupos de trabalhos com apresentações de artigos sobre políticas públicas, ativismo, feminismo, diversidade cultural, movimento negro, democracia e fake news, entre outros temas.

O coordenador do curso de Relações Internacionais, Pedro Brites, comemorou o sucesso do evento. “Saldo extremamente positivo, só o fato de a gente conseguir botar esses temas para serem discutidos no principal auditório da instituição é um ganho sensacional”, afirmou. A professora de Relações Internacionais e organizadora do evento, Marina Rosa, falou sobre a importância da diversidade: “Nossa plateia foi composta por mulheres que puderam se enxergar e alunos negros puderam se enxergar, isso modificou bastante o que a gente está acostumado a ver em termos institucionais”, ressaltou.

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