Proler promove debate sobre Setembro Amarelo na UniRitter

Alunos e professores participaram de reflexão sobre suicídio

A campanha Setembro Amarelo acontece no Brasil inteiro e tem o objetivo de alertar e debater sobre o suicídio, que desde 2002 teve um aumento de 10% na população de 15 a 29 anos. O Programa Nacional de Incentivo à Leitura (Proler) é uma iniciativa nacional que estimula o pensamento crítico e a reflexão através da leitura. O calendário do projeto tem sido orientado pelas cores e, no mês de setembro, a cor em destaque foi o amarelo, que debate sobre suicídio – tema delicado, porém importante frente à realidade brasileira.

Cada localidade do país tem um comitê e a UniRitter faz parte do que gerencia as ações em Porto Alegre. Na noite de 05/09 (terça-feira), cerca de 40 alunos e professores reuniram-se no saguão do Prédio A do campus Zona Sul para debater o suicídio através da leitura. Os participantes da iniciativa vestiam uma peça de roupa amarela para simbolizar o tema de discussão da noite.

“O amarelo é uma cor recente, porém importante. O suicídio é um tema sério, mas através dos textos podemos compartilhar pensamentos e incômodos”, disse a coordenadora do Proler na UniRitter, a professora Alessandra Camilo, no início da apresentação da noite. Logo após a fala de Alessandra, a professora do curso de Letras, Regina Silveira, subiu ao palco e falou sobre o suicídio. A professora disse que apesar de aquela noite ser reservada para se falar sobre o tema, também era importante que se falasse de vida e leveza.

Estudante do curso de Letras, Lucía Buchaillot estava na palestra, gostou de como a iniciativa tomou corpo e lembrou da comunicação como uma forma de prevenção contra o suicídio. “Leitura é um modo de comunicação, e um dos pontos do suicídio é a sensação de isolamento, que você está sozinho naquele sentimento de tristeza. Com a leitura e escrita sobre o suicídio você está dizendo ‘Ei, teve outras pessoas que se sentiram assim também, você não está sozinho’ “, disse Lucía.

Em seguida, Regina convidou a aluna Ana Corrêa, que faria uma leitura. A bolsista de iniciação científica utilizou a literatura para compreender ódio e vingança. Enquanto lia trechos de algumas obras, Ana ia mostrando cartazes amarelos com letras pretas que formavam nomes de histórias famosas e que apresentavam os sentimentos que estudou. Hamlet, Romeu e Julieta, Édipo Rei e Kullervo estavam entre os livros citados por ela. A aluna leu trechos de Kullervo, escrito por J.R.R. Tolkien, livro que narra a vida de um órfão com poderes sobrenaturais. O personagem jura vingança contra o mago que arruinou sua vida e, no decorrer da história, perde a irmã e a família. “Kullervo perdeu tudo. Não restou vingança nem amor. Ele tinha tudo, mas não valorizou o que tinha”, concluiu Ana.

Após a reflexão da universitária, o espaço foi aberto para a fala dos outros estudantes que estavam na palestra. Um a um os alunos foram subindo ao palco e lendo crônicas, textos, histórias e músicas, que nem sempre falavam de morte, sofrimento ou suicídio, mas também de alegrias, vitórias e saudade. As leituras homenagearam professores, amigos, familiares, o passado, o presente e futuro. Ao final de uma apresentação, a doutoranda em Letras, Christiane Guerra, estimulava os alunos para que participassem da atividade. Mário Quintana, Tolkien e Caetano Veloso estavam entre os autores das publicações lidas, mas o momento mais comovente da noite foi quando quatro alunas dividiram dois microfones para cantar uma música sobre um querido amigo que havia partido. Antes que começasse a apresentação, os olhos de uma delas ficaram marejados de lágrimas. Assim que começou a cantar, a saudade bateu forte e ela deixou o palco. Tim Maia foi o escolhido para tornar palpável o que as amigas sentiam e cantando uma estrofe de “Gostava tanto de você”, elas brindaram o amigo falecido.

A professora Rejane Pivetta leu trecho de uma obra literária que falava sobre os caminhos difíceis de um herói, ilustrando que faz parte da vida ter que enfrentar obstáculos, mas que a leitura e a conversa podem auxiliar quem está passando por momentos complicados. Posteriormente à leitura, Rejane e outras três professoras apresentaram aos alunos uma reflexão sobre suicídio. Ao lado da colega, Alessandra Camilo, Regina Silveira e Valéria Brisolara leram um texto que instigou os universitários a analisar o suicídio com outro olhar. “Um gesto como esse se gera no coração, assim como uma grande obra”, dizia certa frase da publicação.

“Todo mundo tem suas tristezas, seus pensamentos mais obscuros, e se você não expressar elas, se ignorá-las, elas nunca se resolverão e podem se manifestar em uma decisão dolorosamente permanente como o suicídio”, falou Lucía. Ao final da atividade do Proler, Alessandra distribuiu a letra de “Tempo perdido”, do Legião Urbana entre os universitários e os convidou para cantar. “Todos os dias antes de dormir lembro e esqueço como foi o dia. Sempre em frente. Não temos tempo a perder”, cantaram em coro os alunos. A noite de debates, conversas, reflexões e homenagens foi encerrada com o agradecimento das professoras e com a promessa de que haverá nova ação do Proler. De acordo com a coordenação do projeto, o mês de outubro será cor de rosa e trará debates sobre a mulher.

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