Palestra do Geração Dux aborda educação e democracia

Evento que marcou abertura do quarto módulo da terceira edição do projeto foi realizado no campus Iguatemi

TEXTO | JUAN ROMERO
FOTOS | NATÁLIA TUDELA
EDIÇÃO | ANDREW FISCHER

A palestra “Atribuições do Estado e modelos de governança pública”, ministrada pelo cientista político e professor do Insper, Fernando Schüler, abriu o quarto módulo da terceira edição do projeto Geração Dux, na manhã de 16 de agosto, no campus Iguatemi. Além de Schüler, o evento contou com a participação do economista Guilherme Stein; da presidente da UniRitter, Alessandra Chemello; dos alunos que participam do Geração Dux (os “duxers”); e de um grupo de estudantes e professores da Cibertec – instituição da rede Laureate no Peru – que estavam em semana de intercâmbio em Porto Alegre. Durante a palestra, Schüler esclareceu conceitos de democracia e também falou sobre modelos de gestão público-privada, citando, em vários momentos, as legislações e exemplos de organizações sociais.

O cientista político abriu a apresentação falando sobre decisões públicas que têm efeitos adversos – como a greve dos caminhoneiros, originada após uma modificação na política de preços da Petrobras – e também explicou o conceito de democracia contemporânea. “A instabilidade é a cara da democracia contemporânea”, citou, se referindo às manifestações populares no Brasil e no Peru durante o período de troca de presidentes nos últimos anos. Após a fala sobre democracia, Schüler apresentou diagnósticos do desempenho de escolas públicas e privadas no Brasil. Segundo ele, há um “apartheid social, étnico e educacional”, o que evidencia as diferenças nos resultados das instituições de ensino. “A crise é na gestão do setor público, não está na educação”, afirmou o professor.

Convidado por Schüler, o economista da Fundação de Economia e Estatística (FEE) e professor da Unisinos, Guilherme Stein, falou sobre “vouchers escolares”, bolsas de estudo semelhantes a “vales” cedidos a alunos que não têm condições de pagar para ingressar em uma instituição de ensino privado. O economista ainda apresentou dados sobre reprovações e evasões no sistema escolar brasileiro, que, mesmo com os grandes investimentos em educação, tem o pior resultado entre os países da América do Sul. “Se a escola é boa, eu vou me estimular a fazer com que ele [o aluno] continue indo à escola, com que não abandone a escola, pois sei que o professor não falta e está ensinando direito”, disse Stein, citando a qualidade do ensino como um dos principais fatores que contribuem para a evasão escolar. De acordo com o economista, a política de vouchers não significa o fim da escola pública e é um ótimo exemplo que poderia ser implantado no Brasil.

A participação da delegação da Cibertec – formada por alunos dos cursos de Administração, Design, Tradução e Computação – foi elogiada por Schüler. “O Brasil, por muito tempo, esteve de costas para a América Latina. Nos relacionamos mais com Europa e Estados Unidos do que com o nosso continente. O Peru é um país que cresceu muito nos últimos anos, estabilizou sua economia, e a realidade social é muito parecida com a nossa. Na América Latina você tem exclusão, desigualdade, problemas no Estado, que é burocrático, então acho que esse aprendizado conjunto é muito positivo”, disse o cientista político referindo-se ao grupo peruano coordenado pelo professor Juan Huapaya.

Realizado desde 2016 pela Fundação Gerações, o programa Geração Dux tem o objetivo de formar lideranças jovens capazes de demonstrar grande interesse em causas sociais e buscar uma sociedade mais sustentável. A iniciativa conta com o apoio institucional do CIEE-RS, UniRitter e Instituto Jama, além de outras instituições públicas e privadas.

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