“Não se pode fechar os olhos para a corrupção”, diz Sérgio Moro na UniRitter

Juiz palestrou para estudantes, professores e convidados no auditório Master do campus Zona Sul

Nos últimos anos, vieram à tona, no Brasil, esquemas de corrupção em que milhões saíram dos cofres públicos e foram desviados diretamente para o bolso de políticos, executivos e funcionários de empresas. A chamada “corrupção sistêmica” é, hoje, um dos maiores entraves para o crescimento do país. Para discutir o tema em sua aula inaugural, o curso de Direito trouxe à UniRitter, na sexta-feira (31/08), um especialista no assunto: o juiz responsável pela Operação Lava Jato, titular da 13° Vara Criminal Federal de Curitiba, Sérgio Fernando Moro. O evento ocorreu no Auditório Master do campus Zona Sul com a presença de alunos, professores, representantes de órgãos ligados à Justiça e empresários. A palestra foi transmitida ao vivo para os demais campi da UniRitter e para as instituições da rede Laureate no Brasil.

Mestre e doutor em Direito pela Universidade Federal do Paraná, Moro trouxe a Lava Jato como suporte para a sua argumentação. Na abertura da palestra ele explicou que extrairia da operação – e dos 43 casos já julgados por ele – as reflexões sobre a corrupção, principalmente no que se refere aos seus efeitos na sociedade. Entre suas explicações, o juiz apontou a dimensão de valores (milhões de dólares) que estava por trás dos esquemas ao longo dos anos e citou, em especial, três casos de condenações. Sem mencionar nomes, rebateu os comentários de que sentenças foram atribuídas sem provas – segundo ele, elas foram baseadas em provas documentais. Moro também destacou ter ouvido dos acusados que o pagamento de propina era “a regra do jogo” no processo de obtenção dos contratos com a Petrobras.

No decorrer da palestra, o magistrado falou também sobre as delações premiadas e prisões cautelares ou por condenação em segunda instância. Ressaltou que a operação simboliza uma quebra na tradição de impunidade dos grandes crimes de corrupção no país. “Foi fundamental a criação de forças-tarefa no âmbito do Ministério Público e no âmbito da polícia”, sustentou. Ainda de acordo com ele, as investigações desses crimes são complexas e precisam ser conduzidas às sombras. No entanto, para Moro, os delitos contra a administração pública devem ser de conhecimento da população. O juiz ainda abordou a falta de confiança que esses crimes proporcionam à democracia, citando o exemplo das pessoas que desejam o retorno da ditadura militar como solução para a corrupção.

Em ano de eleições, o palestrante da noite aproveitou para destacar que o governo e as altas lideranças são os professores do país, e que o principal papel deles deveria ser dar o exemplo, orientando o comportamento dos demais. Ele criticou a ausência de uma postura veemente dos governantes contra a corrupção. “Não se pode fechar o olhos para a corrupção, principalmente depois de todo esse passado. Eu acho que quanto mais corrupção se tem, menos governabilidade vai se ter no final do dia”, declarou.

O juiz também mencionou a parceria entre instituições do Brasil e da Itália no grupo de pesquisa sobre violência e corrupção sistêmica, que é liderado pela coordenadora do curso de Mestrado em Direitos Humanos da UniRitter, Sandra Regina Martini. A professora, que recebeu Moro ao lado do reitor da UniRitter, Germano Schwartz, destacou a importância da presença do juiz no evento com os alunos da instituição. “Trazer uma figura como o Sérgio Moro, que representa teoria e prática conjuntamente, faz com que os estudantes cresçam e vejam que a alternativa para mudarmos esse país está no estudo, na profundidade”, avaliou. O professor Germano também salientou a importância do evento para os acadêmicos. “Nós abrimos as inscrições às 9h da manhã de uma sexta-feira e às 11h já estava lotado. Foi um sucesso. Acho que os estudantes saíram satisfeitos”, finalizou.

Entre os estudantes que lotaram o auditório estava Felipe Rodrigues dos Santos, do primeiro semestre de Direito, que saiu satisfeito com a palestra. “Os erros promovem ainda mais uma reflexão de aperfeiçoamento, porque vamos ter que corrigir aquilo que se errou”, destacou o aluno.

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