Mesa-redonda discute possíveis impactos ambientais da extinção das fundações gaúchas

Evento realizado nos campi Zona Sul e Fapa teve como objetivo promover a reflexão no Dia Mundial do Meio Ambiente

Em comemoração ao Dia Mundial do Meio Ambiente, os campi Zona Sul e Fapa receberam um evento para discutir os possíveis impactos ambientais relacionados à extinção de nove fundações mantidas pelo governo do Rio Grande do Sul. Direcionada aos alunos dos cursos de Engenharia Ambiental e Sanitária, Ciências Biológicas e Jornalismo, a mesa-redonda começou com a exposição dos palestrantes e terminou com os questionamentos dos alunos. Foram convidados cinco palestrantes, representando as seguintes fundações: Fundação Cultural Piratini, Fundação de Economia e Estatística, Fundação Estadual de Pesquisa Agropecuária (Fepagro), Fundação Zoobotânica e Fundação de Ciência e Tecnologia (Cientec).

CAMPUS ZONA SUL

No campus Zona Sul, o evento começou com a fala da representante da Fundação Piratini, a jornalista Angélica Coronel, que abordou os diferencias dos programas da TVE em comparação às emissoras privadas. Além disso, destacou a importância do programa EcoDesafio, que foca a sustentabilidade, apresentando problemas globais e soluções. A segunda palestrante foi Nêmora Arlindo Rodrigues, da Fepagro, que afirmou: “O fim da Fepagro representa o fim da pesquisa agropecuária”. Atualmente, a fundação realiza pesquisas que auxiliam os pequenos produtores agropecuários, que contribuem para o melhoramento genético animal, para adubação e correção do solo, além de pesquisas na área de zoneamento climático.

A Fundação de Economia e Estatística, que integra instituições de pesquisa de desenvolvimento socioeconômico ambiental através da Comissão Estadual de Zoneamento Ecológico e do Conselho Estadual de Meio Ambiente, foi representada pelo engenheiro agrônomo Túlio Antônio Carvalho. De acordo com ele, “a FEE baseia-se nos três pilares: meio ambiente, desenvolvimento social e desenvolvimento econômico”. Além disso, conforme Carvalho, a fundação promove pesquisas e diagnósticos na área ambiental.

“Todo saneamento usado pela Corsan é vistoriado pela Cientec, o que reduz em 30% o desperdício de água”, informou Carlos Miguel Schantz, representante da Fundação de Ciência e Tecnologia. Durante o evento, ele destacou atividades realizadas pela Cientec como análise em combustíveis, análise química de alimentos, ensaio de matérias e análise cromatográfica.

A Fundação Zoobotânica do Rio Grande do Sul, que também está na lista de possível extinções, compareceu ao evento representada pelo biólogo Glayson Bencke. A FZB atualmente fornece veneno para soro antiofídico, acolhe animais silvestres, possui coleções científicas, coleções vivas de espécies ameaçadas de morte, além de realizar pesquisas ambientas e de biodiversidade. “Serão perdidos bancos de sementes, coleções vivas ameaçadas de morte e projetos de pesquisa científica aplicada, se aprovada a extinção”, afirmou Glayson.

Ao final do evento, os alunos questionaram os palestrantes sobre a relação com os presidentes das fundações, sobre a quantidade de pesquisas que serão perdidas e sobre a relação com outros países. A Fepagro já foi extinta, enquanto isso, a TVE, FEE, FZB e Cientec estão no projeto de extinção proposto pelo governo do RS.

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CAMPUS FAPA

No campus Fapa, participaram os seguintes palestrantes: Jan Karel F. Mahler Júnior (Fundação Zoobotânica), Carlos Schantz (Cientec), Túlio Carvalho (Fundação de Economia e Estatística) e o editor do Jornal JÁ, Elmar Bones.

O pesquisador da Fundação Zoobotânica, Jan Karel F. Mahler, iniciou apresentando a infraestrutura do Jardim Botânico, do Museu de Ciências Naturais e do Parque Zoológico. Jan destacou a importância do Jardim Botânico. “É um dos cinco jardins botânicos do Brasil com categoria A, que recebe mais de 70 mil visitantes por ano. Além de áreas de lazer, ele conta com coleções vivas e viveiro de mudas”, afirmou.

Carlos Schantz, da Cientec, ressaltou a trajetória da fundação, o seu planejamento estratégico e suas áreas de atuação. Também destacou a preocupação com a sustentabilidade e o meio ambiente. “Sempre que a gente visita uma indústria e detectamos algum tipo de atividade agressiva ao meio ambiente, nós trabalhamos junto com esta empresa para que ela minimize este impacto que está causando”, explicou.

Na sequência falou o pesquisador do Núcleo de Políticas Públicas da FEE, Túlio Carvalho. Ele revelou os custos da fundação em comparação com as instituições privadas e enfatizou que a ciência e a tecnologia estão presentes para resolver problemas com o manejo adequado dos recursos naturais. “Meio ambiente não é problema, é solução”, enfatizou.

Por fim, Elmar Bones, editor do Jornal JÁ, ampliou o debate falando sobre o papel da imprensa. Além disso, ele também comentou sobre a extinção das fundações da maneira como foram feitas. “Eles acharam que iam demitir, não se deram conta que eram instituições enraizadas, que algumas têm um acervo de inteligência, de conhecimento, serviços ambientais. Enfim, que são um patrimônio do estado”, concluiu Elmar.

Segundo os alunos que assistiram à mesa-redonda, o evento foi produtivo. Para Jean Costa, da disciplina de Jornalismo Ambiental, a palestra agregou informação. “Tinham coisas a respeito das fundações que eu não tinha conhecimento, sobre dados que eles trouxeram pra nós. Foi um senhor aprendizado”, afirmou. Aline Bisol, também aluna da disciplina de Jornalismo Ambiental, concorda com o colega. “Eu acho que a informação é o que empodera mesmo as pessoas. A gente tem que buscar informações de vários lugares, conferir a informação, procurar se informar de várias formas para ter um equilíbrio no que a gente consome e não cometer injustiças”, concluiu Aline.

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