Mariceia Benetti, a professora camarada

Jornalista por formação, Mariceia abraçou a carreira acadêmica e se tornou referência em pesquisa para os alunos da Comunicação

TEXTO | Aline Eberhardt

Não há dúvidas de que a risada mais contagiante da Faculdade de Comunicação Social é da professora Mariceia Benetti. Na UniRitter desde 2014, a professora tem uma vasta experiência na academia. Natural de Seara, Santa Catarina, Mariceia se mudou para Chapecó aos oito anos – e lá ficou durante toda a infância.

Em 1982, Mariceia foi aprovada no vestibular de Publicidade e Propaganda da PUCRS e no de Jornalismo da Unisinos. Por influência do pai, escolheu a segunda opção. Foi assim que ela veio morar no Rio Grande do Sul. Durante o curso, estagiou no Sindicato dos Professores (Sinpro) de São Leopoldo.

Anos mais tarde, já formada, foi convidada por colegas para trabalhar em Campo Grande, no Mato Grosso do Sul. Trabalhou durante um mês na TV Canarinho, mas não se adaptou bem à cidade e decidiu voltar. “Foi em janeiro ou fevereiro, lembro que cobri o Carnaval, mas não gostei de morar lá”, explica.

Depois desse episódio, passou a se dedicar ao Mestrado e, então, começou a a trajetória como professora. A primeira disciplina que lecionou é o carro-chefe da carreira acadêmica: Projeto de Pesquisa. “Sempre dei as mesmas disciplinas: Projeto de Pesquisa, Semiótica, Teorias da Comunicação”, lembra. Antes de chegar à FACS, Mariceia passou pela Ulbra e pelo Centro Universitário Metodista IPA, onde foi professora e coordenadora do curso de Jornalismo.

Quando estava na Ulbra, em 2002, decidiu dar o próximo passo: Doutorado. Para a construção de sua tese foi necessário nada mais nada menos que a decupagem dos TRÊS filmes do Indiana Jones — com áudio, legenda e cena. “Levei uns seis meses só para fazer as transcrições”, conta. O tema de sua tese foi a análise semiótica da produção serial dos Meios de Comunicação de Massa. Quatro anos e trezentas páginas depois, tornou-se, enfim, Doutora em Comunicação, pela PUCRS.

Vida pessoal

Mas quem é a Mariceia fora das salas de aula? Quando faço essa pergunta, ela prontamente responde: “Mãe!”. Maria, de 20 anos, e Júlio, de 18, são os eternos bebês. “Gosto de ir ao cinema com eles e de passear”, conta. Além da programação familiar, Mariceia tem um hobbie: séries.

Atypical, Rita e Grace and Frankie são séries que ela recomenda — todas disponíveis na Netflix. Entretanto, o gosto peculiar da professora agora engloba séries coreanas, chinesas e japonesas. Mr. Sunshine, da Netflix, está entre suas favoritas. “Conta a história da Coreia antes da unificação, quando começam as resistências contra a invasão japonesa. É uma série de guerra”, explica. “Tem uma de vampiro que eu gosto também”, conta rindo.

A leveza de Mariceia também é caracterizada por uma vida espiritual ativa. “Faço meditação há alguns anos, porque eu acho que é muito importante termos esse equilíbrio. Não é questão de não consumir coisas, mas saber o quanto consumir”. Além disso, a professora não usa Uber, só anda de ônibus ou táxi.

Mariceia se considera uma pessoa camarada e parceira. Quem foi aluno dela sabe bem que isso é verdade. Para finalizar, peço a ela um conselho para os alunos da FACS. E ela prontamente responde: conhecimento. Não ter preconceito de conhecer coisas e pessoas novas. Aprender é sempre a chave. “Tudo que você fizer, procure fazer bem, não importa aonde estiver trabalhando”, afirma.

RAIO-X
Nome completo: Mariceia Benetti
Data de nascimento: 08/11/1964
Em que ano e onde se formou em Jornalismo: 1985, na Unisinos.
Currículo lattes: http://lattes.cnpq.br/6393125910458037
Onde já trabalhou: SBT Mato Grosso; Jornal Vale dos Sinos; Sindicato dos Metalúrgicos POA; Sindicato dos Bancários POA; Ulbra e IPA
Em que ano ingressou na FACS: 2014
Qual foi o principal momento como jornalista? Cobertura da primeira greve dos trabalhadores pós-ditadura, em São Leopoldo, em 1986; e Diretas Já, em 1984.
Uma frase: “A vida muda lentamente e para sempre”, de Thiago de Mello
Um filme: Bonequinha de luxo
Uma comida: Pizza
Um sonho: Viajar o mundo sem se preocupar com dinheiro
Ser professora na FACS é… maravilhoso!