Jornalistas esportivas participam do painel #DeixaElaTrabalhar

Evento foi realizado no Salão Nobre da Associação Riograndense de Imprensa (ARI)

por Lilian Mendes

A Associação Riograndense de Imprensa (ARI) promoveu, na noite de terça-feira (10/04),  o painel #Deixaelatrabalhar, alusivo à campanha nacional organizada por jornalistas esportivas diante dos recentes casos de desrespeito a profissionais. Estiveram presentes as repórteres esportivas Alice Bastos Neves e Kelly Costa, da RBS TV; Ana Carolina Aguiar, da Rádio Grenal; Laura Gross, da Rádio Guaíba; Renata de Medeiros, da Rádio Gaúcha; e os jornalistas Carlos Corrêa, do Correio do Povo; Gabriel Cardoso, assessor de imprensa do Internacional; e João Paulo Fontoura, assessor de imprensa do Grêmio. O bate-papo teve a mediação da vice-presidente da ARI e professora de Jornalismo da PUC RS, Cristiane Finger, e contou com presença de estudantes de jornalismo de várias universidades.

Durante o evento, Ana e Renata revelaram que, muitas vezes, ouviram frases como: “Escolhe uma área mais feminina no jornalismo”, “se tu gosta mesmo de futebol, me diz aí a escalação do teu time”, ou ainda “mulher que vai ao estádio é para aparecer para macho”. Alice comentou que muitos desses casos não são relatados e questionou: “Alguém ouviu falar de caso de assédio no jogo do Grêmio e Monagas pela Libertadores”? Segundo ela, muitas vezes as repórteres não registram queixas.

A jornalista Kelly Costa deixou uma dica para as futuras jornalistas que acompanharam o debate que durou cerca de duas horas: as mulheres podem, sim, trabalhar na área em que quiserem. Basta ir atrás, acreditar que o sonho é possível. “Meu pai não me dava apoio, dizia que eu iria morrer de fome. A dica que eu deixo é para nunca desistir por mais difícil que seja”, disse.

Laura Gross, da Guaíba, contou um episódio que aconteceu com ela em uma cobertura na Arena. “No intervalo a gente espera para entrevistar os jogadores. Eu avisei o pessoal que precisava ir no banheiro e que era para me chamar quando tivesse que entrar no ar. Saindo do banheiro tinha uma galera comprando lanches. De repente eu senti alguém me tocando de uma maneira desconfortável”, contou. Laura falou que como tinha muita gente não conseguiu identificar a pessoa. Ana Carolina Aguiar, da Grenal, ressaltou que esse tipo de debate serve para conscientizar futuras jornalistas esportivas para que saibam que não estão sozinhas – e destacou que casos como os que foram abordados durante o debate devem sempre ser relatados.

Para Patrícia Vieira, estudante de Jornalismo do 7º semestre da UniRitter, o painel foi de grande importância. “O relato desse tipo de abuso que as repórteres ainda passam dentro de campo é assustador, mas elas nos mostram que ainda é preciso ter força e união para que a gente possa fazer a diferença e mudar esse quadro de intolerância e machismo dentro e fora dos estádios”, disse.

Eduarda Burguez, aluna do 4º semestre de Jornalismo da Fadergs, acredita que um evento como esse serve para mostrar que os tempos são outros, que as mulheres são capazes de trabalhar no esporte de igual para igual.