Jornalismo lança revista Forasteiros

Publicação narra histórias de imigrantes no Rio Grande do Sul

Durante o primeiro de semestre de 2017 os alunos de Escola de Reportagem VI: Revista, sob coordenação da professora Mariana Oselame, utilizaram dados estatísticos e relatos dos imigrantes de diversas nações para desenvolver uma revista. Além de narrar histórias, a revista Forasteiros fornece informações sobre a imigração e instiga o leitor a refletir sobre o assunto. O trabalho foi desenvolvido em parceria com o Cibai Migrações, o braço da Paróquia Pompeia voltado ao atendimento e à instrução aos imigrantes. De acordo com o Núcleo de Pesquisas do Cibai, cerca de 8 mil haitianos e 3 mil senegaleses deixaram a terra natal para tentar uma vida melhor aqui no Rio Grande do Sul.

No centro de Porto Alegre, por exemplo, vários imigrantes podem ser vistos comercializando eletrônicos, bijuterias, roupas e calçados. Observando essa realidade, os universitários, em conjunto com a professora, decidiram o tema. “É uma pauta relevante e atual. Que não é só vista em Porto Alegre, mas no mundo todo. Foi um assunto que encantou a todos”, explicou Mariana. Divididos entre os núcleos de imagem, texto e diagramação, os alunos saíram a campo para recolher as informações e escrever as reportagens.

A proposta era fazer com que os alunos tivessem interação com todas as etapas do processo da revista. Desde a seleção da pauta até a finalização gráfica. “A Forasteiros me proporcionou muito além do que aprendo em sala de aula. E também pude utilizar as técnicas de outras disciplinas para produzir a reportagem”, falou a estudante de Jornalismo, Pâmela Bassualdo. Além da experiência técnica, os alunos tiveram a oportunidade de vivenciar outras culturas e compreender as diferenças. “Aprendi que eles não são tão diferentes de nós. As pessoas têm essa ideia de que os imigrantes são todos iguais. Mas não. Cada um é diferente do outro. Eles também têm sonhos e vontades. Foi importante entender e poder mostrar quem eles são”, completou Pâmela.

O projeto Forasteiros também teve a orientação do professor Francisco dos Santos, do curso de Publicidade e Propaganda, que coordenou a diagramação da revista. O conteúdo pode ser lido na página no Facebook ou na versão online da publicação. Abaixo você confere a íntegra da Carta ao Leitor, que explica a escolha do nome “Forasteiros” e a ilustração da capa, produzida pelo artista senegalês Ousmane Mathurin Ndiaye especialmente para o projeto.

CARTA AO LEITOR

Quando o termo FORASTEIROS foi proposto como nome da publicação produzida pela turma de Escola de Reportagem VI – Revista, muitos torceram o nariz. “Tem um sentido negativo”, disse um dos alunos. “Pode ser mal interpretado”, acrescentou outro. Buscamos, então, no dicionário. Afinal, qual o sentido do termo FORASTEIRO? O Aurélio nos diz “aquele de fora da terra”; o Michaelis chama, simplesmente, de “estrangeiro”. A busca pelo significado da palavra, longe de esclarecer nossa dúvida, gerou ainda mais debate. Se na origem do termo não há uma conotação negativa, por que FORASTEIRO provoca tanto desconforto? Quando foi que a palavra assumiu um caráter negativo se, na essência, ela não é acusatória ou preconceituosa?

Diante da polêmica, tínhamos duas opções. A primeira: fugir do embate e batizar a revista com outro nome. A segunda: comprar essa briga. Defender que uma palavra – assim como a nossa atitude em relação a uma pessoa – só adquire um sentido negativo quando o nosso olhar não capta a sua real essência; quando assumimos como verdade uma interpretação que não raro se mostra equivocada.

Escolhemos, juntos, a segunda opção. Mexer no que é desconfortável tinha tudo a ver com o que estávamos fazendo desde o início do semestre em parceria com o Cibai Migrações – a quem devemos um agradecimento mais do que especial. Em tempos de fechamento de fronteiras para os FORASTEIROS, nada mais justo, como jornalistas, do que ir na direção contrária. Quem são essas pessoas? Que sonhos trazem consigo? Por que deixaram a terra em que nasceram e vieram para cá? O que elas encontraram por aqui: olhares discriminatórios ou mãos estendidas?

Assim foi desenhada a proposta desta revista. Durante um semestre, convivemos com estrangeiros. Exercitamos a empatia. Tentamos “calçar os sapatos” dos personagens que perfilamos. Buscamos entender o que eles sentem. Nos interessamos verdadeiramente pela cultura que trazem. E aprendemos inúmeras lições. De solidariedade, resiliência, fé em dias melhores. De humildade, amor e uma imensa força de vontade.

Nos últimos dias do projeto, tínhamos dúvidas em relação à capa. Como ilustrar tantas histórias? Foi aí que conhecemos o trabalho de Ousmane Mathurin Ndiaye, artista plástico senegalês radicado em Caxias do Sul. Pedimos a ele que representasse, por meio de um desenho, o que o Rio Grande do Sul significa para os imigrantes que aqui chegam. Ousmane desenhou um estado de braços abertos, acolhendo pessoas, sonhos e esperanças de um futuro feliz.

FORASTEIROS foi um trabalho em equipe, uma produção que contou com a participação dos cursos de Jornalismo e Publicidade e Propaganda da UniRitter. O conteúdo desta revista nos transformou – e esperamos, caro leitor, que ele faça o mesmo com você.

Mariana Oselame
Professora de Escola de Reportagem VI – Revista

O conteúdo da revista FORASTEIROS pode ser lido na página no Facebook ou na versão online da publicação.