FACS produz conteúdo para o Magia Sport Club

Universitários criaram material de divulgação para o primeiro time de futebol gay do Rio Grande do Sul

No mês de abril deste ano, o professor de Publicidade e Propaganda, Jornalismo e Produção Audiovisual na UniRitter, Rodrigo Rodembusch, chegou em sala de aula com uma proposta diferente para a disciplina de Produção Publicitária. A ideia foi criar spots – propagandas de rádio – para o Magia Sport Club, o primeiro time de futebol gay do Rio Grande do Sul, fundado há treze anos em Porto Alegre. Logo depois do anúncio de Rodembusch, uma equipe do Magia foi até à faculdade para explicar aos alunos o que buscava no material a ser produzido. O conteúdo deveria ser institucional, falar sobre inclusão, diversidade e ser interessante para conquistar mais jogadores e torcedores. Ao final do trabalho, foram produzidos dezenove spots nos campi Zona Sul e FAPA – dois foram selecionados por um júri formados por representantes do time de futebol.

A parceria com o Magia surgiu quando Rodembusch buscava algo que aliasse diversidade e reflexão, temas presentes nas aulas do professor. “Tenho sempre a intenção de levar a questão da diversidade. Pode ser étnica, sexual ou de qualquer outro tipo. Quero que o aluno reflita”, explica. O docente foi contatado por uma amiga que trabalha na assessoria de imprensa do clube e o colocou em contato com o presidente do Magia Sport Club, Renan Evaldt, que precisava de spots para divulgação. As propagandas escolhidas seriam veiculadas ao vivo durante a primeira edição do Camisa 24 Sport Show, um programa de rádio com integrantes do clube que estreou no dia 7 de maio deste ano.

Com as informações em mãos, os universitários foram desafiados a executar todas as etapas de criação do spot, desde o roteiro até a escolha de trilha e efeitos sonoros. Aluno do 5º semestre de Jornalismo, Danrley Passos falou sobre os cuidados com o conteúdo. “Temos que analisar muito bem para que não seja mal interpretado. O desafio vem em duas frentes: ajuda no exercício da nossa atividade de produção e na reflexão sobre o assunto”, disse.

Participante de um dos grupos vencedores, o aluno do 9º semestre de Publicidade e Propaganda, Christian Marchese Dutra, contou que tipo de mensagem o grupo tinha intenção de transmitir. “Tentamos mostrar que a vida é feita de diferenças e não são elas que vão impedir você de praticar um esporte ou “se colocar” em determinado lugar da sociedade”, falou. O universitário se mostrou contente com a escolha do spot pelo Magia Sport Club e disse que a vitória é fruto de esforço e trabalho em equipe.

Integrante da comissão que julgou os spots produzidos pelos alunos, Evaldt explica que foi avaliado se o material fugia do clichê, possuía linguagem respeitosa, abordava inclusão no esporte e era criativo. O presidente do Magia Sport Club ficou muito feliz com as produções dos alunos. “Tivemos trabalhos belíssimos e realmente foi difícil escolher dois dentre tantas peças criadas. Após várias análises e debates escolhemos dois que melhor representam nossa ideia de clube e de inclusão, e que obviamente ficaram mais “limpos” para nossos ouvidos”, falou.

Depois desta primeira experiência, o clube está aberto para outras parcerias com a UniRitter. “Para nós do Magia seria uma honra ter uma parceria com a UniRitter. Certamente poderíamos contribuir para a formação de profissionais para mercado e de quebra obter serviços de qualidade, como os apresentados nesta primeira parceria”, disse. O próximo desafio do Magia é a Taça Hornet, que acontece no dia 1º de junho em São Paulo.

“O mundo é tudo, não é só uma coisa. Não é só um time de guris que gostam de futebol e que por acaso são gays. É uma causa que tem que ganhar o mundo. Tem que ganhar a visibilidade que eles querem e merecem, sem a roupagem clichê e triste que o nosso jornalismo de vez em quando utiliza”, diz Rodembusch. Homossexualidade e futebol são dois assuntos que, para alguns, podem parecer jogar em times adversários. Porém, a criação de times de futebol com integrantes homossexuais e competições específicas mostram que, aos poucos, o preconceito recebe cartão vermelho e perde espaço onde, até pouco tempo, não havia lugar para o público LGBT. A luta por igualdade não abrange somente os direitos já conquistados, mas também a liberdade para praticar o esporte que quiser, amar sem medo e ser quem é, dentro e fora de campo.