Diretora de filmes publicitários, Paula Jobim conversa com site da FACS

Publicitária começou a carreira como produtora de objetos e hoje conta com 300 filmes no currículo

Nossa entrevistada de hoje é a diretora de filmes publicitários Paula Jobim. Ela se formou em PP na UFSM, fez especialização em Cinema na Itália, tem no currículo mais de 300 filmes. O portfólio da Paula você confere no site: vimeo.com/paulajobim.

Como você se tornou diretora de filmes publicitários?

Depois de formada, comecei na Zeppelin como produtora de objetos, fui assistente de direção durante 13 anos e daí resolvi começar a dirigir. Fiz um percurso bem mais longo do que a maioria dos diretores, mas foi o que escolhi fazer. Eu gosto das outras funções na equipe e acho importante um diretor saber bem o que cada uma faz antes de começar a dirigir.

Rola preconceito por você ser mulher num meio tradicionalmente masculino?

Rola, mais velado do que explícito. Já ouvi coisas como “mulher não pode dirigir propaganda de cerveja” (eu já dirigi), “mulher não entende de carro” (tenho mais experiência em filmagem de carros do que muitos diretores homens). Por outro lado, tive oportunidades de dirigir filmes de moda, com crianças e meninas em que o fato de ser mulher certamente colaborou na minha contratação. Há estereótipos machistas em alguns roteiros e no meio profissional, mas felizmente também estou conhecendo cada vez mais gente disposta a mudar isso.

Quais as principais mudanças que você viu acontecer na relação cliente-agência-produtora?

Existem mudanças em âmbitos diferentes. Um é o tecnológico: antigamente, se filmava em negativo de cinema somente para TV; hoje, temos cada vez mais meios e formatos de divulgação (internet, instagram, facebook, snapchat e por aí vai), além da democratização da tecnologia, acessível a cada vez mais pessoas. Cada celular tem uma câmera com grande qualidade. Existem câmeras boas e baratas e qualquer pessoa consegue fazer um vídeo. Porém, os vídeos profissionais seguem sendo feitos com equipamentos mais caros e por profissionais especializados. Outro âmbito que modificou demais essa relação foi a crise financeira: as verbas diminuíram muito e isso provoca uma conversa mais aberta sobre custos e limites de produção. Nem toda ideia tem verba pra ser executada. Quanto maior o número de pessoas e locações num filme, mais caro ele fica. As produtoras participam cada vez mais de conversas anteriores ao orçamento dos filmes, junto das agências e dos clientes, ao invés de simplesmente receberem o roteiro e apresentarem um orçamento. Um filme feito para internet não é necessariamente mais barato do que outro feito para TV. Mas a crise não impede que se criem ideias bacanas, também não impede que os clientes, produtoras e agências acompanhem essas mudanças que estão acontecendo cada vez mais rápido.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado.