“Discutir inclusão é importante, mas não desacomoda”, provoca Deivison Campos

Mesa temática “A Inclusão e o Papel Social da Comunicação” reuniu pesquisadores da área para debater diversidade

TEXTO | Lúcia Haggstrom
FOTO | Carolina Cesa

A segunda mesa temática no Intercom Sul 2019 debateu “A Inclusão e o Papel Social da Comunicação” com relatos e trocas de experiências carregadas de provocações para o público. “Os Direitos Humanos não são uma pessoa”, alertou a pesquisadora do Programa de Pós-Graduação da Feevale sobre Diversidade e Inclusão Social, Victória Santos. Ao citar o dado que apresenta o Brasil como o quarto país com maior número absoluto de casamentos de crianças, a pesquisadora questionou o tratamento dos meios de comunicação a temas relativos à infância. De acordo com Santos, após a divulgação do dado e no período da pesquisa que desenvolveu sobre o tema, o jornal Folha de S. Paulo não tinha divulgado nenhuma reportagem ou notícia sobre o assunto. “A gente fala dos ‘bárbaros’ no Oriente Médio, que obrigam as meninas a casar, mas não está olhando no quintal de casa, onde é uma questão de pobreza e essas meninas casam para sobreviver”. A pesquisadora também salientou a diferença entre inclusão e desigualdade, já que exclusão e igualdade não são equivalentes.

Também participou do debate o coordenador do Núcleo de Estudos Afro-Brasileiro e Indígena da Ulbra, Deivison Campos, que trouxe para o público o conceito de inclusão a partir da desconstrução do lugar social. O pesquisador defende que pensar igualdade é “observar outros movimentos fora dos lugares sociais constituídos ao longo da história”. Segundo ele, é necessário que as pessoas se exponham e observem outros grupos para além das estruturas e estereótipos sociais atribuídos essas pessoas. “Discutir Inclusão é importante, mas não desacomoda”, salientou Campos, que defende a tomada de atitudes para a aproximação entre pessoas de diferentes grupos sociais. “Entender que quando uma pessoa com deficiência faz uma coisa não é uma questão de superação. Tratar dessa forma é uma violência”, defendeu o pesquisador. Ele também levantou o debate sobre o genocídio negro como um projeto de nação que, de acordo com ele, faz a manutenção de privilégios historicamente estabelecidos.

Para encerrar a mesa de discussão, o coordenador do Mestrado de Indústria Criativa da Feevale, Cristiano Max, salientou a importância das mídias na formação da cultura e da inserção social das pessoas. “O entendimento de mundo, de cultura e de conhecimento é muito formado pelo consumo midiático”, disse. Para ele, o entretenimento é o primeiro contato com o entendimento das relações mais profundas entre as pessoas. Ele defendeu a Indústria Criativa como “um importante campo de representação, reflexão e luta” para discussões de diversidade.