Direitos humanos e mudança climática é tema de aula inaugural na UniRitter

Evento promovido pelo Mestrado em Direitos Humanos discutiu papel do direito na garantia das condições básicas de sobrevivência para a humanidade

TEXTO | Fernanda la Cruz

Enchentes, furacões e queimadas colocam em risco a vida de milhares de pessoas. Em 2016, um estudo da revista Lancet revelou que o aumento da temperatura global fez a produtividade do setor rural cair 5,3% desde o início do século. Ainda de acordo com os pesquisadores, cerca de 18 mil pessoas morrem diariamente por conta da poluição atmosférica, cujo nível está acima do permitido pela Organização Mundial da Saúde (OMS) em 87% das cidades. Apesar do efeito negativo, a utilização de recursos naturais e de agrotóxicos é essencial para a vida em sociedade – pelo menos na forma como a conhecemos. Isso porque o desenvolvimento econômico está calcado na exploração do meio ambiente – vide o uso de petróleo, dos metais e da madeira. Diante dessa dicotomia, que lesa o planeta mas também permite o progresso humano, a pergunta é: como avançar sem criar mais sequelas à saúde?

O assunto foi discutido na Aula Magna do Mestrado em Direitos Humanos da UniRitter, na noite de segunda-feira, 20 de agosto. Antes da cerimônia, os convidados foram recepcionados pela coordenadora do mestrado, Sandra Regina Martini, para um coquetel. A abertura do evento, realizado no auditório do prédio 4, no campus Fapa, contou com uma apresentação de slam de Luka Pumes, aluno do curso de Jornalismo da UniRitter.

Logo após, Luka recitou uma poesia, preparada especialmente para divulgar o livro Coletânea de Direitos Humanos, organizado por Germano Schwartz, reitor da UniRitter; Dani Rudnicki, gerente da escola de direito; e Cristiane Feldmann Dutra, egressa do mestrado. A noite contou ainda com uma apresentação musical realizada por internos da Fundação de Atendimento Socioeducativo do Rio Grande do Sul (Fase). O palestrante convidado, Alberto Emilio Ferral, discursou sobre alternativas para fugir da crise ambiental que atinge o planeta. Segundo ele, a solução passa, invariavelmente, pela inclusão social através do cooperativismo e da regionalização das instituições.

“A economia está ligada à ideia de desenvolvimento, mas esse desenvolvimento não é saudável se não for acessível a todos”, disse Ferral, que é diretor de cátedra da UNESCO para Segurança Humana e Desenvolvimento Regional e professor da Universidade Blas Pascal, de Córdoba, na Argentina. “Somos 7 bilhões de habitantes, sendo que mais de um 1,2 bilhão sobrevive com menos de dois dólares por dia. É uma conta que não fecha.”

As mudanças climáticas também causam prejuízo à qualidade de vida no planeta. Segundo o professor, infecções, cegueira, doenças respiratórias e cardiovasculares são agravadas pela qualidade da água, da comida e do ar. Na agricultura, além da redução na produtividade, a mudança de clima também desconfigura ecossistemas, propaga pestes, secas e inundações no plantio. Essas transformações resultam na contaminação do meio ambiente, em deslizamentos de terra e na extinção de rios, lagos e espécies inteiras.

“Ocupamos a Terra há muito menos tempo que as espécies animais. No entanto, causamos uma destruição enorme, que pode se tornar irreversível”, afirmou Ferral. A solução, segundo ele, consiste na adoção de ações sustentáveis, entre elas: educação de qualidade, igualdade de gênero, água limpa e saneamento básico para todos, além de energias renováveis, inovação na indústria, redução do consumo de agrotóxicos, paz, justiça e instituições sólidas. “Assim como na matemática e nas ciências exatas, percebemos que os direitos humanos só serão garantidos quando conseguirmos somar elementos comuns, chegando a um resultado igual para todos.”

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