Das canções de ninar à vida acadêmica

Estudante da FACS conta como é administrar a vida de mãe e universitária

Brinquedos jogados pelos chão. Objetos coloridos fazendo contraste com a discreta mobília em meio a cadernos e livros. Uma música repetitiva ao fundo, contando como se conta até dez em inglês. Este é o cenário inicial ao adentrar na residência de Odara Larrêa, 22 anos, estudante de Produção Audiovisual, moradora da Zona Norte. Ela nos recebe com grande entusiasmo, mesmo mostrando preocupação com as atividades que ainda tem que exercer ao longo do dia.

Seu filho, Benhur, apelidado carinhosamente de Bê, logo se mostra intimidado com a presença de estranhos em seu local de aconchego, mas em seguida foca sua atenção na música que toca no computador. Odara é mãe desde os 19 anos. Em julho, Benhur faz 3, embora pareça ser mais velho, devido a sua altura e esperteza. “Ele usa roupa de 4 anos e por ser muito inteligente, as pessoas sempre acham que ele tem mais idade”, afirma.

Após o filho pegar no sono, Odara conta como funciona a administração dos cuidados do filho juntamente com o pai dele, seu ex-namorado. “Desde os 6 meses do Bê, eu e o pai temos um acordo de guarda compartilhada. Uma semana ele fica aqui, outra na casa dele. Mas durante a semana que ele está lá, de quinta pra sexta-feira ele fica comigo, então é algo bem próximo a 50%. Cada um com seus respectivos gastos e deveres”.

Sobre o receio de ser mãe e iniciar a vida acadêmica, ela disse que a fase universitária, embora desafiadora, tem sido mais tranquila do que no primeiro ano de Benhur. “Tinha muito medo de como seria começar uma faculdade. Quando o Bê era mais novinho, com cerca de um ano, eu fazia um curso pré-vestibular e ainda trabalhava. Por ter sido uma experiência bastante desgastante, tinha fixo na cabeça de que talvez a faculdade fosse ser assim também”.

Ela ressalta a posição privilegiada que tem por contar com apoio familiar. “Quando estava morando sozinha com o Bê nos primeiros meses, vi que se quisesse estudar, teria que voltar a morar com minha mãe. Na semana em que ele fica aqui, ela sempre me ajuda a cuidar dele, é um verdadeiro suporte, seja familiar, seja financeiro. O pai também é muito presente, independentemente do fim do nosso relacionamento. Tenho plena ciência de que sou privilegiada, pois para muitas mães essa é uma realidade muito distante”.

Para ela ser mãe é uma experiência enriquecedora e um elo para a vida toda, algo que traz mais responsabilidade e maturidade. “Com certeza ser mãe te dá uma outra visão da vida. Um dia você estava desocupada assistindo Netflix, no outro tem que alimentar, cuidar, brincar, dar banho e viver em determinados momentos inteiramente para o seu filho”.

Logo após a conversa, era hora de ir para a aula. Bê, que já tinha acordado de seu breve sono, perguntou para a mãe se ela ia ir à aula. “Ele já sabe direitinho quando vou pra faculdade, inclusive às vezes brinca de ir para a aula, tentando pegar minha mochila e riscando meus cadernos”, conta, antes de dar um longo abraço no filho e um beijo na testa, deixando ele na companhia de sua mãe que já tinha chegado do serviço.

Henri dos Reis/Agência INQ
Odara conversa com o repórter Eliel Gonçalves (Henri dos Reis/Agência INQ)