Aula Magna da FACS discute Comunicação & Cidadania

Evento aconteceu de forma simultânea nos campi Fapa e Zona Sul

A cidadania é – ou ao menos deveria ser – um direito de todo o ser humano. Para discutir o tema – e problematizar o papel da comunicação nesse processo – a FACS promoveu, na noite de terça-feira (18/09), a aula magna do segundo semestre de 2018. O evento reuniu alunos, professores e convidados nos campi Fapa (auditório do prédio 4) e Zona Sul (auditório do prédio D).

Debate da Fapa teve participação de alunos, professores e do haitiano James Derson, da ONG África do Coração

TEXTO | Camilla Swider
FOTOS | Rafael Costa

Um dos participantes da aula inaugural do campus Fapa foi o imigrante James Derson, que representou a ONG África do Coração. Há cinco anos no país, ele afirmou que já se considera “metade brasileiro”. Durante o evento, Derson contou sua história desde a chegada ao Brasil até os dias de hoje, relatando os desafios que encontrou para obter uma vida melhor. Ele ainda ressaltou a importância da comunicação para que a população negra tenha mais oportunidades e voz. “A atividade negra deve ser promovida a partir da comunicação”, disse.

Um dos projetos da ONG África do Coração no Rio Grande do Sul é a organização da Copa dos Refugiados, evento que a FACS cobriu no primeiro semestre deste ano –  e que também foi pauta da aula magna. O sucesso da cobertura foi destacado pelo aluno de Jornalismo Matheus Lourenço, um dos convidados da noite. Ele compartilhou com o público todo o trabalho executado pelos estudantes na transmissão dos jogos e apontou as lições que ficaram após a experiência.

A estudante de Jornalismo Camila Silva também participou do bate-papo. Ela salientou a relevância de se discutir questões negras e sociais dentro de uma universidade frequentada predominantemente por pessoas brancas. “Enquanto estudante de jornalismo eu sentia falta de ter essa discussão dentro da academia, que bom que essa realidade está mudando”, afirmou.

Além dos convidados que participaram do debate presencial com a mediação dos professores Geferson Barths e Roberto Belmonte, foram exibidos vídeos que abordaram a comunicação no contexto de atividades de impacto social. Rosélia Araújo Vianna, da Gênese Social – Agência de Impacto, falou sobre planejamento de carreira e engajamento na área social. Já a advogada e empresária Mariana Ferreira dos Santos destacou o empreendedorismo negro. “Pouco se vê grandes agências e comunicadores pensando no afro-empreendedorismo como fonte de renda”, salientou.

Em uma noite de aprendizado e, sobretudo, de reflexão, o Núcleo de Relações Públicas da Agência INQ, através dos acadêmicos Débora Mendes e Julius Breyer, pensou e colocou em prática uma ação especial. Eles circularam pelo auditório durante o evento mostrando para o público duas reportagens que abordavam questões relacionadas à comunicação e cidadania. Depois, distribuíram algumas perguntas relacionadas às notícias. O objetivo foi refletir sobre os conteúdos.

De acordo com o coordenador de Publicidade e Propaganda, Geferson Barths, “um detalhe às vezes que está colocado ali (no texto ou no anúncio), às vezes sem querer, fere, exclui, afasta, segrega as pessoas e os grupos”, explicou. “É um cuidado que a gente tem que tomar”, completou o professor. A enquete feita com os participantes do evento reiterou a mensagem indispensável da aula inaugural: refletir sobre cidadania, empatia e principalmente, a ética na comunicação.

Confira imagens da aula magna do campus Fapa:

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Na Zona Sul, aula magna contou com a presença de uma aluna e dos convidados Cláudio Oliveira e Januário Francisco

TEXTO | Juan Romero
FOTOS | Natália Silveira

Mediada pela professora Tânia Almeida, de Relações Públicas, a aula magna da Zona Sul contou com a exibição de três vídeos. O primeiro apresentou o trabalho da FACS na cobertura da Copa dos Refugiados, realizada em junho deste ano, quando quarenta alunos de Jornalismo participaram do evento liderados pelo professor Roberto Belmonte. Pâmela Bassualdo, uma das integrantes do projeto e coordenadora de uma das equipes de cobertura, ressaltou a importância de ter feito parte do grupo de estudantes e destacou a ampla adesão dos colegas de curso. “Houve muita correria durante a cobertura, nervosismo e até brigas, mas também ganhamos muita experiência”, falou a estudante de Jornalismo.

Os outros três vídeos apresentados falaram sobre a importância da presença da comunicação em negócios de impacto social. Rosélia Araújo Vianna, mestre em Comunicação Social pela PUC-RS, destacou que o profissional recém-formado na área sempre tem a expectativa de trabalhar em empresas mais conceituadas, e acaba deixando as áreas sociais e ambientais de lado. “Acredito que a gente precisa abrir um pouquinho o nosso foco, a nossa mente e ir buscar outros mercados. Não só esperar a questão da empregabilidade, é necessário empreender na área da Comunicação. Nas áreas social e ambiental, isso é fundamental”, afirmou Rosélia.

Mariana Ferreira dos Santos, advogada, empresária e co-fundadora da Rede Brasil Afroempreendedor (Reafro), defendeu a necessidade de incentivo ao afro-empreendedorismo e citou que a população negra, por ter baixa remuneração no mercado, está optando cada vez mais por empreender na área. “A comunicação ainda está pouco voltada para o afro-empreendedorismo. Muitas pessoas da área não estão preparadas para isso, já que é uma novidade”, citou Mariana.

O terceiro vídeo, do publicitário Rodrigo Vicêncio, destacou a necessidade de inovação na área da comunicação e citou que parcerias do segundo com o terceiro setor geram repercussão e visibilidade a ações sociais. “A Copa dos Refugiados é uma forma de gerar protagonismo social a eles”, disse Vicêncio.

Após a exibição dos vídeos, foi iniciado um debate sobre a temática, que contou com Tânia, Pâmela, o publicitário Cláudio Oliveira, sócio-diretor da Agência Ponto – atuante em projetos de inovação social, e o angolano Januário Francisco, que destacou o trabalho da ONG África do Coração, que em parceria com a ONG Vida Saudável auxilia na recepção e acolhimento aos refugiados que chegam a Porto Alegre. Morador do país desde 1992, Januário ressaltou a necessidade de trabalhos sociais como o da ONG, que fazem os imigrantes se sentirem entre irmãos quando são acolhidos.

A Agência INQ, por meio do núcleo de Relações Públicas, foi responsável por outro momento de reflexão no evento. Ao entrar no auditório, quem chegava ao evento era apresentado a duas notícias diferentes: uma delas falava sobre um tatuador norte-americano que não tinha os dois braços e trabalhava com os pés; a outra era sobre uma gestante de 9 meses que havia sido contratada por uma empresa brasileira de tecnologia. Das 57 respostas registradas, 85% delas aceitariam o serviço do tatuador, enquanto 80% aprovaram a contratação da gestante. O resultado da sondagem foi comentado pelos debatedores, que concordaram amplamente com a maioria das respostas e destacaram a necessidade de confiança e empatia com as pessoas.

Confira imagens da aula magna do campus Zona Sul:

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