Campus Iguatemi é palco do “Minas de Propósito”

Palestra abordou temas relacionados ao empoderamento e protagonismo feminino

TEXTO | Eduarda Narciso
FOTOS | Andreia Rodriguez
EDIÇÃO | Liliane Pappen

Em meio a um contexto no qual a mulher conquista progressivamente seu espaço na sociedade, a discussão acerca das dificuldades e experiências vivenciadas ao longo da trajetória feminina se faz sempre necessária. Sendo assim, com o apoio da UniRitter, foi sediado na noite de terça feira, 26 de março, no Campus Iguatemi, a quarta edição do “Minas de Propósito”, evento que debate o tema com a sensibilidade que o assunto requer. Graduada em Relações Públicas, a fundadora do projeto e egressa do curso de Relações Públicas da UniRitter, Miriã Antunes, disse que o coletivo visa dar voz e visibilidade a mulheres e suas experiências inspiradoras, além de ressaltar a importância da sororidade e equidade nos dias atuais. O encontro contou com a presença de seis palestrantes: Alexandra Zanela, jornalista e empreendedora; Roberta Menda, estudante e escritora; Juliana Estradioto, jovem cientista; Anaadi, cantora e compositora; Cecília Vanin, estudante e programadora; e Remi Owadokun, escritora e “health coach”.

Abrindo o debate, a jornalista Alexandra Zanela discursou acerca de sua vivência no interior da cidade de Constantina, no norte do estado, e comentou sobre o preconceito sofrido pelas mulheres. “Muitas vezes somos desestimuladas a realizar nossos sonhos e, dessa maneira, contrariamos nossas próprias vontades para seguir as imposições do patriarcado ao gênero feminino: ser mãe e dona de casa”, afirmou. Ademais, disse que reconhece seu privilégio por ser branca e criticou os movimentos feministas que são excludentes em relação a mulheres negras e periféricas.

Protagonismo infantil

O “Minas de propósito” também foi responsável por mostrar que não há idade para protagonizar a própria história e promover mudanças no mundo. Prova disso são as jovens Roberta Menda e Cecília Vanin, que compartilharam suas experiências inusitadas e visões de mundo a partir de seus olhares de criança.

Segunda palestrante da noite, Roberta Menda tem apenas 8 anos, mas já redigiu um livro próprio, denominado “O diário das minhas mãozinhas”. A obra trata da relação de Beta com a doença que afeta suas mãos, conhecida como “Brida Amniótica”. A estudante ressaltou que o objetivo do livro é despertar o respeito e a empatia do leitor para as diferenças de cada indivíduo, além da importância de saber lidar com os próprios problemas e seguir em frente, independente das dificuldades.

Outra pequena notável, Cecília Vanin, 12 anos, uma das ganhadoras do prêmio nacional de programação por atuar em um projeto de jogos digitais da escola de Ciência da Computação “SuperGeeks”, falou sobre mulheres promissoras no ramo tecnológico. “Fiquei muito feliz de ter recebido o prêmio, mas, quando percebi que era a única menina na equipe infantil de programadores, fiquei triste. As meninas devem ser cada vez mais incentivadas a se interessarem por tecnologia, para desmistificar a ideia de que isso é “coisa de homem”. Tecnologia é coisa de menina, sim!”, afirmou.

Em seguida, Juliana Estradioto, jovem cientista de apenas 18 anos, relatou sua experiência em feiras internacionais e os diversos prêmios conquistados no ramo científico. Juliana desenvolveu um tipo de plástico biodegradável a partir da casca do maracujá, que lhe rendeu o 1° lugar do prêmio jovem cientista 2018, nível médio, do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico – CNPq, ocorrido em Brasília. Natural de Osório, no litoral gaúcho, a jovem conta que, enquanto cursava o Ensino médio no Instituto Federal do Rio Grande do Sul (IFRS), sempre se questionou a respeito da existência de mulheres na ciência, muitas vezes invisíveis e apagadas da história e que, por isso, se dedicou a pesquisar mais sobre o assunto, interessando-se pela área. “Lugar de mulher é transformando o mundo”, frisou. A menina também ressaltou a importância dos professores ao longo de sua caminhada científica: “Ciência transforma a sociedade, educação transforma vidas”, concluiu.

Na sequência, Anaadi, ex-participante do programa “The Voice Brasil” e ganhadora do Grammy Latino de 2018 com o álbum “Noturno”, discorreu sobre seu amor pela música e pelo palco, além de expor sua trajetória como mulher afro-brasileira. Relatou a existência de um “roteiro social” repleto de racismo e machismo, que faz com que acreditemos que há algo errado conosco. A cantora, que é formada em psicologia, mas não atua na área, também afirmou que esse contexto pode ser alterado através da consciência do próprio valor e destacou a importância da terapia no processo de autoconhecimento.

Para encerrar a quarta edição do “Minas de Propósito”, Remi Owadokun, eleita uma das 100 mulheres mais influenciadoras da Nigéria e escritora do livro “Como Perdi 40 quilos”, abordou como tema principal de sua palestra o caminho profissional que a levou de estilista a “health coach”, objetivando auxiliar pessoas que desejam emagrecer em prol da saúde e do bem-estar. Remi disse que aprendeu português lendo os gibis da “Turma da Mônica” e comentou em entrevista à INQ: “É muito gratificante estar participando desse evento no meio de mulheres tão inspiradoras. Tenho certeza de que cada pessoa que compareceu à palestra essa noite sairá daqui diferente, de alguma forma”

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