Alunos da FACS investem em negócios próprios como alternativa ao mercado de trabalho

Iniciativa abrange os quatro cursos da comunicação e se torna exemplo para os universitários

Segundo o dicionário, “empreender” significa, dentre outras coisas, realizar. Coincidentemente essa é a palavra que rege o caminho de dois alunos e dois egressos da Faculdade de Comunicação Social (FACS) da UniRitter que buscaram em seus negócios próprios caminhos diferentes do mercado de trabalho convencional.

Os alunos fazem parte do grupo que mais cresce no Brasil: os empreendedores. Segundo uma pesquisa feita pelo Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (SEBRAE), no ano de 2016 cerca de 42 milhões de pessoas se tornaram empreendedores no país, o equivalente a um quinto da população brasileira.

Desse total de investidores, aproximadamente 1,7 milhões são microempreendedores individuais (MEI), de acordo com a Serasa Experian, empresa brasileira de análises de crédito e negócios. Nesta categoria empresarial, o empreendedor oferece um serviço e ele mesmo o realiza.

Além da vontade de adquirir experiências e obter crescimento profissional, o desemprego é um dos motivos para o aumento dos negócios próprios. Dados dos IBGE revelam que atualmente 13,7 milhões de  brasileiros estão desempregados. A pesquisa realizada pelo SEBRAE divide os empreendedores em dois grupos: os que empreendem por oportunidade ou por necessidade.

Manuella Noschang, Asaph Kolln, Mariana Maciel e Leonardo Pujol fazem parte dos 11 milhões de brasileiros que criaram os seus negócios para driblar a crise financeira e buscar novos caminhos; neste caso, no ramo da comunicação.

Relações Públicas

Formatura de Manuella Noschang, egressa de Relações Públicas da UniRitter (Facebook)

Formada em 2017 no curso de Relações Públicas, Manuella Noschang por pouco não deixou de seguir o caminho da comunicação. A egressa da FACS fez, por um tempo, o curso de Letras pela UFRGS, mas o amor por RP falou mais alto. Em 2002, a profissional iniciou os estudos na PUCRS e acabou se formando ano passado pela UniRitter. Instigada após realizar um projeto com ênfase nas mídias sociais, a então aluna fundou em 2015 a Digicare – Relacionamento Digital Personalizado, uma empresa focada em ajudar pequenos negócios na internet.

Os serviços prestados pela empresa são diversos, incluindo desde o planejamento para mídias sociais e criação de sites até links patrocinados. De acordo com Manuella, o primeiro passo para criar uma empresa é encontrar algo que o empreendedor realmente goste e investir nisso. Para a relações públicas, entender os clientes é dar importância ao público. Foi com essa filosofia que a Digicare surgiu, buscando sempre um relacionamento personalizado para os consumidores.

Manuella, que já passou pela Rede Pampa de Comunicação, salientou que é importante o ingresso dos estudantes no mercado de trabalho antes de criarem um negócio próprio. Ela ressalta que empreender na faculdade ajuda os alunos, porém a inserção no mercado pode trazer bons aprendizados. “Hoje eu só tenho sucesso no meu empreendimento por causa da minha experiência no mercado de trabalho. Algumas questões como concorrência no mercado e qualificações que nos pedem são coisas que exigem muito da gente, mas são muito importantes”, disse.

Produção Audiovisual 

Criador da Kolln Films e estudante de Produção Audiovisual, Asaph Kolln

Nascido em Minas Gerais, o aluno de Produção Audiovisual Asaph Kolln, que sempre foi fascinado por cinema, criou a sua própria produtora, a fim não apenas de produzir conteúdo, mas sim de realizar um sonho de criança. Filho de pais missionários, o calouro contou que o futuro no audiovisual era incerto, pois acreditava na possibilidade de seguir o caminho dos pais. Porém, certo dia recebeu a ligação do seu tio, o pastor Anderson Lima, que morava no Rio Grande do Sul  e convidou Asaph e convidou Asaph para ser produtor de vídeos de cursos à distância (EAD). A ideia de seu tio era transformar a já existente Escola de Ministérios da igreja Catch The Fire em um curso EAD, para que mais pessoas pudessem ser alcançadas, e ele precisava de alguém para gravar e editar todo o conteúdo das aulas. Sem pensar duas vezes e sem nenhum conhecimento técnico sobre vídeos e gravações, Asaph fez as malas e veio para o sul do país

O estudante conta que a internet e um membro da igreja foram os principais responsáveis por todo o conhecimento que ele adquiriu ao decorrer do tempo. ”Foi através da internet que eu busquei saber sobre edição e os processos do audiovisual. E com a ajuda do Fernando Lenox, dono da produtora Lenox Films, onde eu estagiei pela primeira vez, que eu pude ter o meu primeiro contato com a área,” falou.

Depois do estágio, veio a ideia de criar a própria produtora. Tendo em mente os princípios cristãos e a necessidade de profissionalização, o estudante criou a Kolln Films, para, de acordo com ele, “mostrar através dos filmes que as pessoas podem ser completas e felizes”, e ao mesmo tempo poder contribuir para as leis trabalhistas. De acordo com Asaph, a produtora registrada como MEI lhe permite pagar impostos, contribuir com as leis e estar legalmente formalizado para o trabalho. E assim, o universitário busca realizar o sonho de no futuro produzir filmes que possam ser exemplo para a sociedade.

A Kolln Films produz material para eventos, porém, de acordo com o seu criador, no momento o negócio está focado na produção de materiais para publicidade de empresas. Além disso, hoje Asaph é responsável por cuidar de toda a parte audiovisual dos cursos EAD realizados pela Catch The Fire.

Publicidade e Propaganda

Mariana Maciel, estudante de Publicidade e Propaganda da UniRitter e co-fundadora da produtora Onda Inquieta (Facebook)

Quem também seguiu no ramo do audiovisual foi a aluna do 4° semestre de Publicidade e Propaganda, Mariana Maciel, que resolveu dar um pontapé inicial no empreendedorismo e criou, junto com colegas, a produtora Onda Inquieta. Foi tentando encontrar um jeito de misturar comunicação e arte que a aluna escolheu o curso. Mariana, que estagia na empresa Competence, foi instigada pela disciplina de Produção de TV, além de ter sido incentivada por colegas de sala de aula. Após a realização de um projeto para a disciplina e a abertura do curso de Produção Audiovisual na UniRitter, veio a oportunidade de dar o primeiro passo no empreendimento.

Quando cursava a disciplina de Introdução à Produção Audiovisual, Mariana conheceu o grupo que hoje compõe a produtora Onda Inquieta, nome que homenageia a UniRitter e os inquietos, apelido para os alunos que estudam na instituição. O grupo, que conta com membros voluntários, é responsável por produzir conteúdo audiovisual, tanto institucional quanto educativo. Além disso, a Onda Inquieta também produz conteúdo cinematográfico, como por exemplo o curta metragem Onde Houver, que conta a história do preconceito numa escola franciscana em 1945.

Em termos de mercado de trabalho, Mariana fala da importância da capacitação do profissional da comunicação e destaca de que forma o estudante precisa se preparar. “Hoje o profissional precisa ser multidisciplinar, isto é, não aprender apenas o básico. Eu, por exemplo, sempre achei que iria pros lados da publicidade e atendimentos, mas estou em um caminho totalmente diferente, que é o da produção de cinema”, disse a aluna. Com relação ao empreendedorismo, a universitária diz que a melhor alternativa para empreender é ser diferente e buscar meios de destacar o produto em meio a um mercado competitivo.

Jornalismo

Se o empreendedorismo surgiu como solução para essas três áreas, no Jornalismo não seria diferente. Com o mercado de trabalho em crise, a profissão também é uma das mais afetadas e que busca soluções de empregabilidade. Desde o ano de 2012, em torno de 7.277 jornalistas foram demitidos no Brasil. Os dados são da Volt Data Lab, uma empresa responsável por trabalhar com jornalismo de dados. Outra pesquisa, desta vez realizada pelo site Jornalista 3.0, consultou 204 profissionais da área, destes, 25% gostariam de ter o empreendedorismo como principal ferramenta de conhecimento.

Leonardo Pujol, egresso de Jornalismo fala sobre a República Agência de Conteúdos (Karoline Guedes/Agência INQ)

E foi investindo no jornalismo empreendedor que o egresso da FACS, Leonardo Pujol se tornou sócio-diretor da República Agência de Conteúdo. Fundada em 2012, a agência  produz conteúdo para diversos segmentos e veículos de comunicação. Um exemplo disso é a matéria ‘Deixe seu computador tão seguro quanto o do Edward Snowden’, que foi escrita para a revista Superinteressante por Leonardo. Com passagens pelo Jornal do Comércio e pela TVE, o jornalista entrou na empresa em 2014 como estagiário. Com três anos de agência, o empreendedor aponta que os processos de legalização e de profissionalização da empresa foram as principais dificuldades durante a criação da agência de conteúdo.

Empreendimentos como esse nos fazem refletir sobre o futuro da profissão. Hoje é comum ver agências e freelancers produzindo conteúdo como se fossem parte de uma redação jornalística. Nesse viés, quando perguntado sobre o mercado do jornalismo, Leonardo diz que o futuro da comunicação dirá se os estudantes de agora serão mais contratados por veículos de mídia ou agências de conteúdo.

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